Chegou o jogo decisivo para Portugal no Euro’16 que tem a ambição (ainda) de vencer a competição. Feitas as análises a Halldorsson (ver aqui) e Almer (ver aqui) chega o momento de analisar Kiraly, guardião húngaro. Este já fez história nesta competição como o jogador mais velho de sempre. (ver aqui) 

Chega a este jogo na liderança do grupo e com a certeza que a Hungria estará na próxima fase da competição. Têm neste momento 4 pontos em 2 jogos e apenas sofreu de penalty até ao momento. Curiosamente nasceu de um erro técnico seu, numa má saída num canto…

Análise geral:

Aos 40 anos está num momento da sua carreira que já não tem de provar nada a ninguém. E isso nota-se no seu estilo de jogo: descontraído, calmo, ponderado. Ri-se durante a partida, está sempre com boa disposição. Daí ser uma das figuras mais adoradas no Europeu até ao momento, não é só pelas calças de pijama…

Com 1.91m, a idade já referida, conta com 101 internacionalizações pela Hungria. Voltou esta temporada que passou (2015/16) ao seu país natal para voltar a um clube (Haladas) que deixou… há quase 20 anos! Desde então andou pelos campeonatos ingleses e alemães e voltou ao campeonato húngaro, talvez, para aspirar chegar a esta competição… e conseguiu!

Análise específica:

Como foi referido em cima, apresenta uma postura descontraída em campo. Tudo é feito devagar… mas bem feito a maioria das vezes.

A sua equipa joga, normalmente, com um bloco defensivo algo longe da sua área defensiva. Perante bolas nas costas da defesa não sai fora da área, ficando dentro da área à espera de recolher a bola ou, em caso de ser um adversário a controlar a bola, de se posicionar para evitar o golo.

Sempre com os braços paralelos ao tronco, reage lentamente a estímulos repentinos ou imprevisíveis, fazendo do seu posicionamento uma das suas armas para compensar a falta de reacção. No 1×1 já não tenta procurar o “desarme” aos pés do adversário como antigamente, ficando na expectativa. Fruto deste tipo de postura corporal reage até facilmente a remates a média/baixa altura. Já se destacou nesta competição com defesas a remates deste tipo, sejam isolados ou de zonas exteriores. Mostrou fragilidade nas alturas apesar dos seus 1.91m.

Em suma, é um guarda-redes que se o deixarem moralizar… torna-se difícil de bater apesar de sofrer um considerável número, historicamente, nos finais das partidas (a partir do minuto 70). Pode ser, porventura, consequência da quebra física da equipa que joga como se diz na gíria “no campo todo” mas é factual este dado.

Pontos Fortes e fracos: 

Tem como ponto forte a “descontração” e calma durante toda a partida, tal como o seu posicionamento para remates interiores ou exteriores. Tem como um dos grandes pontos fracos, fruto da sua idade já avançada, a falta de reacção perante passes na diagonal que envolvam o seu deslocamento (preferindo para compensar ficar no seu espaço de conforto) e remates imprevisíveis.

A equipa, no processo de organização ofensiva, não hesita em fazer de Kiraly um dos primeiros organizadores de jogo. Sai a jogar na maioria das vezes curto.

Será testado como ainda não foi nesta competição (Portugal tem em média 20/25 remates por jogo) e até hoje os guarda-redes foram sempre as figuras nas partidas contra os portugueses. Mais por falta de engenho dos portugueses do que qualidade intriseca nas balizas… 

  • Gonçalo Xavier – A Última Barreira

 

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