Agora a representar o AC Milan, Diego López, falou à comunicação social espanhola dos tempos que viveu na capital espanhola.

O guardião de 34 anos abordou a passagem pelo Real Madrid comandado por José Mourinho e a relação com o mítico guarda-redes madrileno, Iker Casillas.

O que é mais difícil: chegar ou sair do Real Madrid?

É igual. Chegam só os elegidos e custa muito sair do clube que sabes que é o melhor clube do mundo. E ainda mais quando se deve a circunstâncias tão particulares como as que me tocaram.

Conte-nos como se deu a sua saída de Madrid.

Deveu-se a questões desportivas e extra-desportivas, claro. Chegou o Keylor Navas e o Milan permitia-me melhorar em algum aspecto. Não sei se foi uma decisão acertada, mas havia muita tensão. É verdade que podia ter ficado, mas sou uma pessoa reflexiva e não foi preciso muito para entender que tinha que sair. Um ano depois penso que talvez me equivoquei, mas é verdade que a temporada passada foi muito boa para mim. Digo que me posso ter equivocado porque sou muito madridista e porque é muito difícil sair do Real quando eras titular.

Como se inteirou que devia sair?

Nesse verão falou-se muito da baliza. O Iker queria sair e dava-se por certo que assim seria. Comecei a treinar e chegou o Keylor, e o Iker continuava sem encontrar uma saída. Numa reunião disseram-nos que éramos três guarda-redes e que só necessitavam de dois… A partir daí foi tudo muito rápido, assim que pensei que o Milan era uma boa oportunidade para a minha família.

Como suportou estar submetido a essa observação diária?

Sempre permaneci tranquilo porque tinha plena confiança em mim e estava preparado psicologicamente para toda essa pressão. Creio que o demonstrei. Desfrutei muitíssimo do meu ano e meio em Madrid, estava a jogar na equipa dos meus sonhos, o que sempre tinha esperado desde pequeno. Mas na minha vida já se passaram muitas coisas que me fazem acreditar no destino. Não levo como um alívio ter saído do Real Madrid.

A sua relação com Iker Casillas, como terminou?

Eu e o Iker conhecemos-nos com 18 anos e estivemos juntos quase quatro. Saímos juntos para jantar, mas com o tempo as coisas vão mudando. Sempre nos respeitamos como companheiros. Na realidade nunca se passou nada, nunca houve um desentendimento.

Mas Mourinho queria-o a você.

O Mourinho quis-me dois anos antes de assinar, quando ainda estava no Sevilha. Não era casual a confiança que tinha em mim.

O Mourinho mantinha uma relação especial consigo?

Ele é uma pessoa muito íntima, a imprensa tem uma imagem errada de como ele é. Apoia a 100% o jogador, compartilha piadas, sem que isso interfira com o facto de ser muito exigente. Não olha a nomes sem o trabalho, mantinha a mesma relação com todos.

Como deve ser um guarda-redes do Real Madrid?

O guarda-redes do Real deve ser uma pessoa muito equilibrada pensativa e ter plena confiança nas suas possibilidades. Não estou de acordo quando se diz que nós, guarda-redes, devemos ser um pouco loucos. A maioria de nós é mais normal do que parece.

E do AC Milan?

Aqui o futebol é tão táctico que é tudo muito lento. Os defesas jogam muito atrás e o guarda-redes deve estar mais entre os postes, apenas saímos da área.

A que se deve um menino como Donnarumma, de apenas 17 anos, lhe ter tirado o lugar?

A atitude de Sinisa Mihajlovic surpreendeu-me, fez coisas estranhas comigo. Depois chegou a minha lesão que me fez estar afastado durante quatro meses, e o que é certo é que o Donnarumma esteve muito bem. Um dia, aos vinte minutos de jogo, por não ter cortado uma bola, meteu a aquecer o guarda-redes suplente. Noutra ocasião, depois de sofrer um golo, começou num grande espalhafato para o banco de suplentes. Faltou-me ao respeito e não sei que interesse tinha ele nisso. Mas pronto, o futebol vai e vem, eu nunca faltarei ao respeito a ninguém e a verdade é que o Gianluigi merece estar lá.

Foram justos com Diego López?

O futebol foi muito grato para comigo, devo-lhe tudo, fui sempre muito feliz, apesar de pensar que ainda poderia ter sido mais…

Fonte: MARCA

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