Muita coisa se tem passado no Reino do Dragão, e a baliza tem sofrido com essa mesma instabilidade.

Iker Casillas é uma das maiores transferências da história do futebol nacional e chegou depois de uma carreira inteira no Real Madrid. Mais de duas décadas até e estava a chegar a Portugal um monstro do futebol, daqueles que nos habituamos a ver na televisão desde o momento que acordamos para esta modalidade. E estava a chegar ao Porto… estava a chegar a Portugal.

Chegou com Lopetegui e o seu treino específico seria direcionado pelo também espanhol Arevalo. Parecia uma simbiose perfeita mas o Iker estava como o estado climática no mundo inteiro. Um dia com Sol, outro com chuva, e isto durante dias, semanas, meses. Estava para reaparecer o Casillas que inspirou milhões em tempos. A defesa da equipa estava consolidada, era das melhores com o espanhol ao leme da equipa, mas não conseguiamos dizer que era mérito de Iker também. Hoje sofre golos mas tem sido decisivo. É irónico certo?

Uma carreira de um guarda-redes não se faz apenas de sofrer ou não golos. Há muito mais. Há todo um contexto para analisar. Hoje Casillas é preponderante de uma equipa que cria desiquilibrios a si mesma e ao adversário. No inicio da época era apenas “mais um” numa equipa equilibrada e sem vertigem. Isso faz um guarda-redes também mudar. A chegada de Peseiro poderia ser uma “machadada” – como se esperava, tais os comentários do treinador em 2014 a dizer que o espanhol estava “acabado” – mas mostrou ser exactamente o contrário. Este é um grande Iker, em qualidade e em atitude. Está diferente, mesmo a sofrer golos. Tem sido decisivo num novo contexto.

Hoje é treinado especificamente por um treinador português que veio da equipa B no momento que Peseiro assumiu a liderança da equipa profissional dos dragões. É um jovem chamado Daniel Correia. Tem apenas 39 anos, quase a mesma idade que Iker Casillas. E certo é que o espanhol “cresceu” nestes tempos com a mudança de treinador. Não foi afectado, foi beneficiado. O monstro ressuscitou em pleno Estádio da Luz quando parecia estar condenado ao fracasso, consolidou-se em Dortmund em outro dos ambientes mais infernais do mundo e hoje deu o mote para a remontada contra o Moreirense. Voltou a um nível de qualidade. Mas o que interessa relevar não é só as defesas que faz… é a atitude. Algo que faltava há alguns anos ao internacional espanhol.

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