Podíamos falar de ti durante minutos. Horas. Talvez até dias infindáveis. Poderíamos arranjar tantos temas em comum, mas existe algo que me fascina. Não é a tua qualidade em campo, nessa já és um dos melhores. Fora deles é que geras tanto consenso e pessoas a sorrir quando ouvem falar no Helton. Pensamos logo num irmão mais velho, num pai, num ídolo. E é isso mesmo que és.

Houve alguém que fez, no seu mais alto amor pelo clube – ou não – uma carta dedicada a Iker Casillas. Dedico-te esta a ti. Habituei-me a ver-te desde o Leiria e até chegares ao Porto. Diziam eles que não tinhas perfil para ir para o lugar do mítico Vitor Baía. Mal eles sabiam que te iriam venerar. Um ser único, alguém especial.

Custa-me. Custou-me, e ainda custará ver-te no banco de suplentes. Alegra-me a cada bom e mau momento do teu colega que esteja a jogar, ver-te a saltar em aplausos ou dando um apoio moral. Isso é genuíno, não é nada forçado, és apenas tu. Aquele que apaixona todos, independentemente dos clubes que pertençam. És o único capaz em Portugal de gerar tal consenso e ser aplaudido num campo do rival, quando sais de maca por lesão. Isso não é falso, é respeito por ti. Por tudo o que dás a esta posição e acima de tudo ao futebol.

És único, mereces este momento. Um dia diziam-te que estavas acabado, hoje mostras que não interessam as vezes que se cai ou a força da queda… mas sim as vezes que te levantas! Defender num derby destes aos 95 minutos um penalty decisivo deve ser único e como único que és… o respeito perante o teu adversário que estava em lágrimas perante de ti é igualmente único. Recordaremos este momento por longos anos, não duvido. E ele também. Não porque falhou o penalty decisivo, mas porque ele também na queda… teve alguém a apoiá-lo.

És sempre tu. Perante os teus e outros. És apenas tu, um ídolo.

  • Gonçalo Xavier – A Última Barreira.
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