A defesa de uma vida

Gordon Banks foi campeão do mundo em 66, no Mundial de Eusébio. Defendeu as balizas inglesas com mestria e inscreveu o seu nome nas páginas da história do futebol. Ainda hoje, quando nos vem à cabeça o nome do internacional inglês, recordamos um momento imortalizado pela sua dificuldade: a defesa ao cabeceamento do rei Pelé, em pleno Mundial de 70, no México.

Defesa de Gordon Banks a cabeceamento de Pelé, em 1966

Ser guarda redes é isso mesmo, superar o impossível e fazer o que os outros recusam sequer tentar. E na arte de enfrentar o destino, Banks é rei. A vida nunca lhe concedeu facilidades, mas o corajoso guardião inglês sempre recusou dar todo e qualquer lance por perdido. Foi treinado para aguentar as tempestades e agigantar-se às mesmas. Depois do cabeceamento de Pelé, Banks atirou-se à vida e defende-a com unhas e dentes. Para ele, o cabeceamento do rei continua a ser a sua maior defesa, para nós, a sua vida é uma sequência de defesas dignas do maior respeito.

Há dez anos, o Sir que apenas soube (e bem) defender as balizas do seu país, recebeu a triste notícia de que enfrentava um cancro. Não se abnegou e fez aquilo que sempre fez, levantou-se de uma grande queda. Uma vez sacudida a poeira, voou para a vida. Removeram-lhe um rim mas nunca a esperança. Lutou e venceu a batalha. Sobreviveu.

Agora, 10 anos volvidos, um novo revés. Voltou à dura realidade da doença, novamente renal. Encarou-a como encarou Pelé, com o maior respeito do mundo, mas sem qualquer ponta de medo ou fraqueza. Confrontado com a situação delicada, o gigante das balizas respondeu como só um Sir sabe:

“Se eu fui capaz de defender aquela bola de Pelé, enquanto jogava contra o maior do mundo, então posso vencer este problema de saúde”.

A simplicidade de um guarda redes. O herói silencioso.

Facebook Comments