Treino: Do Específico ao Integrado

A análise do treinador de guarda-redes em jogo: mais complexo do que parece…

Ainda que o treino seja uma parte específica de um processo complexo, este é parte integrante e nunca indissociável ao jogo e vertente competitiva. É nele que trabalhamos para o rendimento ou para o aperfeiçoamento, conforme a idade em que estejamos a trabalhar. Contudo, e sabendo de boa parte do que se deve analisar a nível técnico ou táctico em treino, poucas vezes falamos de qual é a abordagem/análise feita durante um jogo por parte de um treinador de guarda redes.

Normalmente, admite-se no senso comum que quem analisa o jogo é o treinador principal, bem visível nas mais diversas imagens televisivas, e restantes adjuntos mais proximais do mesmo, que com a tecnologia também são bem observáveis com instrumentos de comunicação que lhes permite falar com outros observadores de jogo espalhados em zonas estratégicas do estádio, tendo em vista a análise mais detalhada possível em função de determinados parâmetros.

Assim sendo, e com tanta gente visionada, onde anda o treinador de guarda redes? Muito mais raras vezes o mesmo é mostrado. Sabemos por antecipação que para uma boa análise de qualquer jogo é apropriado estar num local com boa visibilidade. Muitas vezes isto não acontece, podendo o mesmo estar num banco anexo, o que dificulta a missão. Se não constar na ficha de jogo, pode ganhar alguma vantagem, podendo ocupar um lugar na bancada. Mas esta ideia é um bocado relativa em função do real conteúdo deste artigo: o que é que na realidade o treinador de guarda redes avalia?

E agora sim, podemos afirmar que é mais complexo do que parece. Num olho não clínico, parece óbvio que um treinador de guarda redes deve ter como único e exclusivo foco a tarefa e comportamentos do seu guarda redes. Esta é uma das tarefas, mas não é a única. Para além dos comportamentos do guarda redes é importante que, um treinador de guarda redes que esteja totalmente integrado, deve ter também como funções a análise dos comportamentos defensivos da sua equipa, leia-se organização defensiva, nomeadamente o seu bloco mais recuado. E daqui advém a complexidade da nossa análise: para além de observar o seu guarda redes, o treinador de GR deve ainda observar o bloco defensivo, comportamentos defensivos, local da bola, se o portador da bola tem oposição ou não, etc… e, focado, não se deve levar pelas emoções do jogo, podendo correr o risco de um momento para o outro… estar a ver o jogo como um simples adepto. É preciso total foco, concentração, níveis de activação altos e também alguma experiência que se vai ganhando, tal como os jogadores, jogo a jogo.

Em suma, este artigo pretende realçar que o trabalho de um treinador de GR tem mais variáveis do que ao ínicio parece ter. Contudo, esta é uma análise muito própria, podendo outros treinadores de guarda redes concordar, discordar, acrescentar variáveis de análise ou outros conteúdos pertinentes nesta questão, pois o que queremos sempre mas sempre é chegar à integração.

– Gonçalo Lopes

 

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