Treino: Do Específico ao Integrado

– Avançado vs Guarda Redes, a adivinhação inconsequente

“Artur sofre golo de Carlos Tevez aos 72’ para a Liga Europa; Helton sofre o 2-2 em Guimarães para a Liga à 21ª Jornada; Quim sofre o terceiro golo numa derrota humilhante de 5-1 contra o Olympiakos, na Liga Europa”. O que é que todos estes lances têm em comum? Serem duelos entre avançado e guarda redes e nestes três casos em específicos o guarda redes era o último homem a ser batido.

Muitos irão dizer “coitados, já eram os últimos, também não os podemos sempre culpar”. Em certa forma até pode ser verdade, mas é falacioso. Não se trata de culpabilizar, mas sim de tentar primeiro corrigir o erro dos colegas de equipa e corrigir o seu próprio erro. Tem-se inscrito os guarda redes numa corrente teórica em que o mesmo deve estar inserido numa lógica de antecipação e não de espera, mas não podemos exagerar.

Passando a termos mais técnicos, o que se quer fundamentar é que não deve ser o guarda redes a tomar a decisão do lado em que a bola irá ser rematada, mas sim o contrário! Deixemos essa decisão para o avançado, já temos tantas para fazer. No geral, todos os lances descritos têm erros por não encurtarem demasiado o ângulo ao ponta de lança e fazerem uma espécie de adivinhação, que eu diria, inconsequente.

Em termos táctico-técnicos, podemos afirmar que talvez este seja um dos conteúdos mais difíceis de ensinar, muitas das vezes pela ânsia de os atletas quererem ter a bola em seu poder. Primeiramente, deve-se encurtar ângulo de forma sustentada. Quando afirmamos isto, queremos dizer que temos de ter em muita atenção o que o avançado está a pensar fazer, se tem a bola controlada para driblar ou se ficou preparado para rematar. Se tivermos a percepção de drible, devemos rapidamente encurtar espaço. De seguida, quando esse espaço está devidamente coberto, devemos efectuar uma posição base baixa, que é especifica neste contexto de saída da baliza, em que devemos ter as pernas flectidas e corpo inclinado para a frente, tal como o calcanhar, para o peso ser enviado para a frente do nosso corpo. Para além disso não devemos dobrar as costas e deve-se colocar os braços paralelos à zona das canelas com a palma da mão virada para a frente. E depois literalmente espera-se pela decisão de quem está em posse de bola. Bola? Outro ponto fundamental! Olhar sempre na bola, nunca se deixando iludir pelos possíveis movimentos corporais.

Assim, e depois desta explicação, não nos podemos esquecer da acção propriamente dita. O avançado pode chutar directamente ao corpo e aí defendo a corrente espanhola (vejam Iker Casillas e De Gea) através de uma técnica chamada de parede ou técnica de futsal, pelas parecenças que daí decorrem; ao invés o avançado pode tentar driblar o guarda redes e aí é preciso muita concentração, sempre com ataque à bola para não pormos em cima da mesa o risco de promovermos contacto com as pernas no adversário. Para além disso, naturalmente, é importantíssimo a capacidade de deslocamentos e coordenação.

Concluindo, se fizermos bem o nosso papel, encurtando o maior ângulo possível, evitando também o habitual chapéu, estamos a fazer tudo de forma correcta, mesmo que seja golo! Porque no futebol é preciso mérito e trabalho, e o avançado também de o ter obviamente. Mas para ganharmos esta batalha… não podemos ser bruxos, podemos sim ser inteligentes e competentes!

– Gonçalo Lopes

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