Treino: Do Específico ao Integrado

– Técnica de queda, o principio de um começo

Em “artigos” anteriores, foram abordados temas de maior complexidade. Contudo, não devemos esquecer a base por onde tudo normalmente começa, seja de forma amadora na praia ou no parque mais próximo, seja em treino de guarda-redes: a queda. Ocanã (1997), definia a queda de uma forma geral como sendo “realizada, com qualquer superfície corporal em contacto com o solo, à excepção dos apoios. Com os braços estendidos, flexão e abdução da perna que entra em contacto com o solo”.

Definido este conceito, é importante chegar a um consenso nalguns pontos, sobretudo no que ao treino diz respeito. Primeiro, esta é uma técnica fundamental ao acto de ser guarda-redes e como tal a mesma deve ser apreendida se possível em tenra idade (sub-6 é um óptimo escalão para iniciação). Segundo, esta é base de sustentação de um guarda redes competente. E terceiro, o treinador tem um papel activo na correcção e aperfeiçoamento desta componente técnica ao longo dos anos.

Falando da técnica em si é necessário ter em atenção aspectos muito específicos para que a queda seja correctamente efectuada. Salientamos a perna de ataque à bola, que é a mais próxima do lado da bola; deverá ser sempre realizada na diagonal à frente, de forma a reduzir o maior ângulo possível e a atacar a bola; balanceamento da perna de ataque na superfície de contacto.

A partir daqui é imperativo perceber que em consonância com esta técnica, aprendem-se outros conceitos fundamentos ao acto de defender. Subjacentes estão o entendimento dos deslocamentos e apoios que são precisos fazer para atacar a bola da melhor forma e também a colocação das mãos à bola.

Desta forma, é no nosso entender, a melhor e mais eficaz forma de se processar o ensino da técnica de queda. Contudo é de enfatizar outros pontos: no método aplicado, é numa primeira fase prioritário perceber a queda a bolas rasteiras e picadas (nas rasteiras, costumamos de forma carinhosa dizer que a queda deve ser feita “a cortar a relva”) e posteriormente e progressivamente a queda com bolas a meia altura e altura maior. Também, numa primeira instância, deve ser ensinada a técnica de bloqueio da bola e só depois a técnica de desvio, para que o guarda redes não tenha desde cedo o hábito de nunca bloquear qualquer tipo de bola por menor grau de exigência que o lance apresente.

Para além de todos os conselhos e recomendações técnicas especificas, deve também ser complementado a integração da técnica do jogo, ou seja, se possível, aplicar esta técnica de forma contextualizada em fases do treino, para que o guarda redes aprenda desde cedo os posicionamentos que deve ter na baliza em diferentes zonas de remate.

Em suma, considera-se que com todos os pontos base enunciados, tenhamos guarda redes mais capazes na altura de chegada à baliza de futebol de 11 (sub-13). Claramente, estarão prontos para complexidade táctico-técnica e outros voos (literalmente!) poderão ser feitos… porque o primado técnico já foi adquirido!

Gonçalo Lopes

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