– Modelo e Método de treino, uma ideologia

Aceitando um desafio de elaborar artigos de opinião, achei por bem iniciar de um modo aberto a todos, incentivando a discussão através do ponto de partida: o título da rubrica. Antes disso, e relacionando com o artigo desta semana, é importante explicitar que, o modelo de jogo implementado nos nossos guarda-redes, deve na nossa opinião, por um lado estar adequado ao modelo da equipa/clube e consequentemente estar relacionado com o método de treino aplicado.

Entramos agora numa temática controversa: “O treino especifico de Guarda-Redes”. Não sabemos se é um conceito estranho, antigo ou desadequado, o que sabemos é que é dita amplamente por profissionais do ramo e que no nosso entender, é conotado de forma errada. Parece que nos remete a uma “ilha” no treino, com discursos parecidos a “Hoje tens 20 min para trabalhar”, “Amanhã já te posso dar tempo”. Então mas afinal o que somos nós? Analfabetos no treino? Julgo que não! Temos responsabilidades dentro do treino, e temos de uma forma urgente de usar argumentos capazes de expor as nossas ideias. Antes de termos uma especificidade, somos treinadores. Daí a importância de existir uma vertente federativa direcionada ao treino de GR, mas também a componente de formação geral.

Assim, e após falarmos sobre algumas variáveis, na nossa ideologia o jogo é a base, desde tenra idade. É certo que o primado técnico é essencial, mas será que não conseguimos fazer exercícios com algumas noções básicas do jogo? Será necessário ensinar técnica de forma totalmente descontextualizada? Ainda assim, e no seguimento destas questões, acreditamos também que o nosso método de treino molda GR com identidade própria. De certa forma, convictamente, pode-se formar GR diferentes mas iguais, diferentes no seu modo de ser e de estar, mas igualmente eficazes, com as suas individualidades próprias.

Resumidamente esta é a ideia que temos, que se reflecte no jogo e vice-versa, porque o mesmo é a base. E se o mesmo é a base, que tal chegar ao integrado? Envolver-nos nas diferentes áreas do treino e sabendo que num dia por exemplo o intuito é treinar cruzamentos, teremos de estar sempre na nossa ilha? No treino integrado não se fazem exercícios com o mesmo intuito e de forma mais real? Atenção, não é acabar com o específico, é chegar ao integrado…

Finalmente é de salientar dois pontos: primeiro, o método de treino por mim praticado actualmente é uma adaptação de algumas formações que fui fazendo, tendo por base as ideias do método de treino dos quadros das selecções nacionais, pois sempre foi o que me fez mais sentido, criando exercícios a partir do Momento, Contexto e no final, acção técnica. Segundo, não há nem modelos nem métodos piores ou melhores, existe sim o que acreditamos e para nossa evolução enquanto técnicos é necessário também tentar perceber outros métodos e exercícios, ainda que nos possam parecer o mais absurdo possível. Para determinado treinador, eles terão o seu objectivo, então vamos fazer uma compreensão do mesmo!

Gonçalo Lopes

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